22 de maio de 2017

Kid Vinil (1955 -2017)

Kid Vinil na banda Verminose ( divulgação)
Sexta-feira passada faleceu um grande cara, querido no meio musical: Kid Vinil, compositor, produtor, jornalista, vj, dj, escritor e um grande especialista em rock. Ele estava internado há mais de um mês, depois de passar mal em um show em Minas Gerais e ter uma parada cardíaca. No início de sua atuação cultural foi um dos maiores incentivadores do movimento punk, chegando a tocar bandas nacionais em seu programa de rádio no início dos anos 80. Foi fundador da banda Verminose ( ao lado de Minho K, Trinkão e Stopa), uma das primeiras bandas pós-punk brasileiras e que depois de alguns anos mudou o nome para Magazine, onde encontrou o sucesso com os hits "Eu Sou Boy", "Tic-Tic Nervoso" e "Comeu". Entre idas e vindas na banda, Kid fazia seus projetos paralelos, como pesquisas musicais, discotecagens e apresentações de programas na TV e no rádio. Entre os projetos de banda, montou o interessante Kid Vinil e os Heróis do Brasil, em meados dos anos 80, ao lado do guitarrista André Christovam. Sua coleção de mais de 20.000 vinis (a maioria de rock ) sempre foi uma referência! Chegou a escrever um livro, "Almanaque do Rock", utilizando seu vasto material e conhecimento sobre o tema. Também teve sua biografia lançada, em 2015. O legado do Kid, muito além de suas músicas, suas bandas e seus inúmeros projetos, foi ter dado a liga entre bandas novas e gravadoras e fazer a divulgação intensa e perene, como um perfeito porta-voz,  do rock brasileiro. Essa sua marca fica - basta vermos as inúmeras histórias e casos dele nas timelines e páginas dos inúmeros amigos que angariou nessas décadas de palco, microfone, teclas e pickups.

20 de maio de 2017

Capa do Mês: Lemmy - A Biografia Definitiva ( Globo Livros)


Feliz que nem pomba em parque cheio: acabei de ganhar do meu filho este "Lemmy - A Biografia Definitiva" ( Globo Livros - 2017). Escrita pelo seu assessor de imprensa e amigo Mick Wall (e jornalista dos bons, colaborador da Mojo, entre outras publicações), traz toda a saga bizarra, surreal e inacreditável do roqueiro mais roqueiro de todos, Lemmy Kilmister! O homem que driblou a morte várias vezes, foi roadie de Jimi Hendrix, alcançou sucesso com o Hawkwind e o Motorhead e foi e voltou do inferno durante toda a vida, sem jamais deixar de ser o Lemmy de sempre, idolatrado não só pelo fãs mas por todos os músicos e profissionais ligados ao rock pesado. O design e a ilustração da capa vem creditado à craigfraserdesign.com.
Já comecei a devorá-lo!

19 de maio de 2017

Chris Cornell (1964- 2017)


Chris Cornell viveu o rock como poucos. Vocalista fundador do Soundgarden, banda de 1984 que fez o movimento grunge chegar aonde chegou; vocalista fundador do efervescente Audioslave, ao lado de membros do Rage Against the Machine; vocalista fundador de outro supergrupo, o Temple of Dog, em 1990, com membros do Pearl Jam e do Soundgarden; entre um grupo e outro, uma carreira solo intensa, entre o pop e o peso, recheada de violão/cordas. Passou pelo Brasil várias vezes, solo e com o Soundgarden, a partir de 2007. Chris é considerado um dos melhores vocalistas de sua geração, com sua voz rascante e a emotividade sempre presente. Parte inesperadamente em um suicídio que ninguém entendeu direito já que ele estava em uma fase totalmente família, curtindo seus três filhos e combinando planos de férias com a esposa. Consta que ele tomou dose a mais de um remédio para ansiedade e após o show sua mulher percebeu algo errado em sua fala via telefone - o medicamento pode ter influenciado seu ato pouco tempo depois.A investigação a respeito prossegue. Para quem fica, resta ouvir o peso visceral de seu vocal profundamente rock e lastimar sua partida abrupta.

https://www.youtube.com/watch?v=3mbBbFH9fAg

https://www.youtube.com/watch?v=sNh-iw7gsuI

https://www.youtube.com/watch?v=u2pNjgGdU7M

https://www.youtube.com/watch?v=Wgll3iLF1jk

https://www.youtube.com/watch?v=7QU1nvuxaMA

https://www.youtube.com/watch?v=WC5FdFlUcl0

https://www.youtube.com/watch?v=VUb450Alpps

18 de maio de 2017

Picanha de Chernobill ao vivo no Anhangabaú


Ontem, passando pelo Vale do Anhangabaú, quase de frente aos Correios, topei com a  banda Picanha de Chernobill com a aparelhagem e os instrumentos montados no espaço livre, prestes a mandar um som ao vivo. Ao lado de duas dezenas de pessoas no máximo, resolvi gravar no celular esse registro ao vivo. A música chama-se "Anhangabablues", um blues eletrificado, encorpado, denso, psicodélico, que nos remete imediatamente a essenciais power trios do final dos anos 60 como  Cream, Jimi Hendrix Experience e Blue Cheer. Eu já tinha conhecido o som do grupo pelo meu filho Gabriel, que me mostrou um vídeo deles na Avenida Paulista, um dos locais frequentes de suas aparições ao vivo. O Picanha já tem três discos independentes lançados ( o último foi pelo Catarse) e sempre que pode evidencia que a rua é seu principal palco. Aliás, a banda toda mora no próprio Anhangabaú - mais "blues" que isso, impossível!

https://www.facebook.com/marcoseduardo.massolini/posts/1446207475440246?notif_t=like&notif_id=1495050756704335

17 de maio de 2017

José Zaragoza ( 1930-2017)


Zaragoza, o Z da agência DPZ, morreu aos 86 anos na madrugada do dia 15, em São Paulo. Espanhol de nascimento, fundou a agência no final dos anos 60, com o sócio brasileiro Roberto Duailibi e seu conterrâneo Francesc Petit (falecido em 2013), com quem já tinha uma sociedade anterior na agência de design Metro3. Permaneceu na agência por 45 anos ( até 2013) sem largar as artes, sua paixão por toda a vida, realizando diversas exposições individuais como pintor e participando de grandes eventos ( como a Bienal de São Paulo nos anos 60). Tinha o Brasil no coração, país que adotou desde 1952, e um dos seus temas preferidos era o esporte - uma de suas últimas mostras teve como tema principal as Olimpíadas. Zaragoza mudou a forma de se fazer publicidade no Brasil, unindo criatividade, arte e comprometimento com o cliente.


Uma de sus obras como pintor
http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2017/05/15/morre-jose-zaragoza-um-dos-fundadores-da-dpz.html

16 de maio de 2017

Antonio Candido (1918-2017)

Antonio Candido em 1982
Morreu na sexta passada, Antonio Candido, quase centenário, um dos maiores críticos literários brasileiros e um dos pensadores chaves para a compreensão da formação cultural e social brasileira. Como lembrou bem meu amigo Bias Arrudão, Candido formava com Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Caio Prado Jr., Darcy Ribeiro e Celso Furtado o sexteto de pensadores brilhantes que explicaram o Brasil. Antonio Candido foi primordial quando uniu a literatura e a análise social e divulgou os escritores brasileiros como poucos. Desde muito novo iniciou-se na crítica literária e viu surgir jovens literatos que viriam a se tornar grandes, como João Cabral de Mello Neto, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, entre tantos, apontando qualidades em seus primeiros trabalhos que fizeram com que fossem notados pela mídia. Firme, sem rodeios, mas de uma objetividade plena, arrumou poucas rusgas por causa de seus textos - o mais célebre foi com o "vulcânico" Oswald de Andrade, que depois viria a ser seu amigo próximo. Discreto, não gostava de solenidades, eventos ou premiações. Uma exceção em sua agenda foi sua participação no FLIP, em 2011, onde acabou contando diversas passagens de sua carreira. Estava lúcido e conversava muito com seus muitos amigos. Crítico, ensaísta, escritor, sociólogo, professor, pensador da cultura brasileira, socialista até a raiz do cabelo, Antonio Candido parte com uma bagagem impressionante e um conjunto de obra colossal para ser estudado e pesquisado por anos/séculos a fio.


Principais livros de sua bibliografia
>> Introdução ao método crítico de Sílvio Romero, 1945
>> Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos, 1956
>> Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, 1959
>> O observador literário, 1959
>> Tese e antítese: ensaios, 1964
>> Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, 1964
>> Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 1965
>> Vários escritos, 1970
>> Formação da literatura brasileira, 1975
>> Teresina etc., 1980
>> Na sala de aula: caderno de análise literária, 1985
>> A educação pela noite e outros ensaios, 1987
>> O estudo analítico do poema, 1987
>> Recortes, 1993
>> O discurso e a cidade, 1993
>> Teresina e seus amigos, 1996
>> Iniciação à literatura brasileira (Resumo para principiantes), 1997
>> O Romantismo no Brasil, 2002

15 de maio de 2017

Bob Dylan, 20 anos ( via Mídia Pura)


Bob Dylan foi fotografado aos 20 anos, em 1961, em um ensaio em seu qg no centro de Nova York, quando ainda era um promissor estreante na cena folk da cidade. O autor, o fotógrafo colaborador da revista Life, Ted Russell, havia recebido convite da gravadora Columbia, que vislumbrava um futuro brilhante ao seu jovem contratado, para fotografá-lo em seu dia-a-dia no apartamento da West 4th Street, ao lado da namorada Suzie Rotolo. Russell topou porque achou que a Life se interessaria e fez uma série PB profundamente bela. A magazine não deu bola para o desconhecido cantor/compositor e essa sequência de fotos acabou se tornando com o tempo uma das joias mais raras da memorabilia musical do século XX. O sempre atento site Mídia Pura publicou essa foto acima e outras da série. Confiram lá:

http://midiapura.com.br/artes/fotografia/serie-de-fotos-mostra-o-jovem-bob-dylan-com-20-anos

14 de maio de 2017

Feliz Dia das Mães ( com Dalcio Machado)


Minha mãe deixou o nosso planetinha há 15 anos. A saudade, claro, perdura - não tem como ir embora - mas com o tempo passei a mesclar junto a essa saudade lembranças felizes, intensas, de gratidão. Dona Lourdes Pareja Massolini era uma mulher que esbanjava generosidade, daquelas que pensavam primeiro nos próximos e depois nela. Nesse Dia das Mães meu sentimento é de saudade mas também de felicidade, pelo privilégio de ter sido filho de uma mulher tão excepcional. Ontem, vi essa bela homenagem do sempre perspicaz e sensível Dalcio Machado no Facebook e além de compartilhar lá, deixo aqui no blog esse cartum que traz exatamente o citado espírito de gratidão e conforto. Valeu, Dalcio! E um beijo estalado pra você, mãe querida!

12 de maio de 2017

Nelson Xavier (1941-2017)

Navalha na Carne: Tonia Carrero, Emiliano Queiroz e Nelson Xavier

Um mês de grandes despedidas nas artes. Nelson Xavier era daqueles atores que comoviam, inclusive em suas cenas de silêncio profundo. As pausas do Nelson Xavier ( vejam em suas composições de Lampião e Chico Xavier, por exemplo) são momentos para serem perpetuados. Viveu sua vida para a dramaturgia, fazendo aproximadamente 50 filmes, além de dezenas de novelas, minisséries e peças em uma carreira com quase 60 anos.O começo dela foi no teatro, quando se juntou á Boal e o grupo Arena. Depois de se formar na USP (Escola Dramática), mostrou textos seus para o diretor mas acabou mesmo fazendo parte do elenco no palco, de onde nunca mais saiu. Enquanto estudava, trabalhou como revisor e depois crítico na revista Visão. Fez história em vários momentos, mas principalmente como Mario no filme "A Queda" de Ruy Guerra ( 1976 - por ele ganhou o Urso de Prata em Berlim) Lampião em "Lampião e Maria Bonita" ( 1982 na Rede Globo) e Chico Xavier, cinebiografia do médium mineiro de 2010 que segundo o ator, socialista e ateu até então, "mudou suas concepções e o fez acreditar e buscar a evolução espiritual" depois de encenar o mestre espírita. Outros bons momentos: como diretor teatral no Recife ainda nos anos 60, nas parcerias com Fauzi Arap/Plinio Marcos ( como ator em Dois Perdidos numa Noite Suja e Navalha na Carne), no filme Os Fuzis, de Ruy Guerra (1964) e  estrelando o filme de Antonio Carlos de Fontoura, "Mulher Diaba" ( 1975). Ganhou um último prêmio em 2016, como melhor ator no Festival do Rio - já tinha ganho um Kikito em 2014 por sua atuação em "A Despedida". Lutava contra um câncer há 14 anos, e mesmo que a doença o deixasse com o andar mais lento e o corpo mais frágil, se mantinha altivo, discreto, sempre trabalhando. Nelson Xavier era assim.

Com o amigo Milton Gonçalves em "Rainha Diaba"

A Rainha Diaba ( íntegra): https://www.youtube.com/watch?v=0N4xZcNiKzo 

Lampião e Maria Bonita ( trecho): https://www.youtube.com/watch?v=DUu3fI4t-xQ 

11 de maio de 2017

Foto do Mês: Cartaz"filosófico-artístico" em Santo André ( by Gabriel Canos)


O Gabriel meu filho, no caminho da escola, "pescou" com a câmera este flagrante de arte urbana, em uma passarela na Avenida dos Estados, Santo André. Com tanta coisa acontecendo no mundo, taí uma frase que nos atinge fundo. Até onde vai a nossa desumanidade? valeu pelo olhar atento, Biel! Virou "Foto do Mês"...